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Como se o barulho pudesse incomodar. Histórias para crianças


Através de Como se o barulho pudesse perturbar, o escritor argentino Gustavo Roldan, nos diz que todos, absolutamente todos os animais vivem e morrem. Essa morte, quando ocorrer no devido tempo, não foi uma coisa ruim. Essa bela e comovente história infantil começa com a notícia de que um animal estava para morrer e que outros animais não tinham motivo para ficar com medo ou chateados. Uma história que fala sobre a morte de forma simples e sutil, para as crianças.

Era como se o vento tivesse começado a trazer tristeza. E de repente todos os animais ouviram a notícia. Seus olhos e bocas se arregalaram, e suas bocas se abriram, sem saber o que dizer.

Não havia nada a dizer.

As nuvens trazidas pelo vento cobriram o sol. E o vento parou, deixou de ser vento e foi murmúrio entre as folhas, deixou de ser murmúrio e dificilmente foi uma palavra que corria de boca em boca até se perder na distância. Agora todos sabiam: o velho tatu estava para morrer.

Então os animais o cercaram, cuidando dele, mas sem saber o que fazer.

"Não há nada a fazer", disse a tatuagem em uma voz que mal podia ser ouvida. Além disso, parece-me que já era hora.

Muitos filhos e muitos netos tatuados olhavam com longa tristeza em seus olhos.

- Mas, senhor Tatú, não pode ser! - disse o piolho -, se fosse ontem ele nos contou todas as coisas que fez ao tigre.

- Você se lembra das vezes em que brincou com a raposa?

-E as aventuras que você teve com Don Sapo?

-E como ele ria das mentiras do sapo!

Vários quirquinchos, corzuelas e macaquinhos, que não tinham ouvido falar da morte, olhavam sem entender.

- Ei, Sr. Sapo! disse um macaquinho em voz baixa. O que acontece com don tatú? Por que meu pai diz que vai morrer?

- Vamos, rapazes - disse o sapo, - vamos para o rio, vou contar para vocês.

E muitos quirquinchos, corzuelas e macaquinhos o seguiram até a margem do rio, para que o sapo lhes contasse o que era a morte. E ele disse a eles que todos os animais vivem e morrem. Que isso sempre acontecesse, e que a morte, quando chegasse no tempo devido, não era uma coisa ruim.

- Mas don sapo - perguntou uma corzuela -, então não vamos brincar mais com don tatú?

- Não. Não vamos jogar mais.

- E ele não está triste?

- Para nada. E você sabe por quê?

- Não, Sr. Sapo, não sabemos ...

- Ele não está triste porque jogou muito, porque jogou todos os jogos. É por isso que ele está feliz.

"Claro", disse o piolho. Como ele jogou!

- Mas ele não vai lutar mais com o tigre!

- Não, mas ele já lutou de tudo que pôde. Ele nunca deixou o tigre descansar. É também por isso que ele está feliz.

- Claro! disse o piolho. Como ele lutou!

- E, além disso, ele sempre amou. Também é muito importante amar muito.

- Ele se divertia com suas histórias, Sr. Sapo! -disse a iguana.

- Como não! Se inventarmos mais de uma história juntos, e por isso ele sai feliz, porque gostava de se divertir e se divertia muito.

"Verdade", disse o piolho. Que divertido!

- Mas vamos ficar tristes, Sr. Sapo.

"Um pouco sim, mas ..." A voz ficou presa em sua garganta e os olhos do sapo molharam-se. Bem, vamos dizer olá uma última vez.

- O que está acontecendo para que haja tanto silêncio? perguntou a tatuagem naquela voz que mal se ouvia. Acho que a corda acabou. Você pode me ajudar a entrar na caverna?

O piolho, que estava na cabeça da ema, caiu uma lágrima, mas era tão pequena que ninguém percebeu. O tatou olhou em volta, abaixou a cabeça, fechou os olhos e morreu. Muitos olhos se molharam, muitos dentes cerraram-se, um arrepio percorreu muitos corpos. Todos sentiram que uma pedra muito grande os pressionava. Ninguém disse nada.

Sem fazer barulho, como se o barulho pudesse incomodar, os animais se afastaram.

O vento soprou e soprou, e começou a levar as penalidades. Ele soprou e soprou, e as nuvens se abriram para o sol se pôr para pintar as flores. O vento sacudiu as folhas das árvores e sibilou pela grama seca.

- Você se lembra - disse o sapo - quando ele fez o trato com a raposa para plantar milho?

FINALIZAR

Gustavo Roldan Ele era um escritor argentino. Formou-se em Letras Modernas pela Faculdade de Filosofia e Humanidades da Universidade Nacional de Córdoba. Trabalhou como jornalista e professor, dedicando-se à escrita, coordenando oficinas literárias de redação e reflexão e dirigindo coleções de livros infantis. Ele também realizou workshops e reuniões com crianças em escolas e bibliotecas de todo o país.

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