Valores

Brinquedos infantis não fazem sexo


As crianças imitam tudo o que os adultos fazem, assumem os papéis que veem em casa, na escola ou na rua, e reproduzi-los fielmente. Da mesma forma, internalizam os valores que esses papéis adquirem na sociedade. O desafio é oferecer aos mais pequenos novos modelos de relação entre os gêneros. Isso não quer dizer que os meninos tenham que brincar com bonecas e as meninas com carros para evitar a tradicional dualidade de "isso é para meninos" e "isso é para meninas".

Os brinquedos devem ser usados ​​por ambos os sexos alternadamente. O fato de alguns brinquedos serem para meninas e outros para meninos é culpa dos adultos. Explicamos por que os brinquedos das crianças não fazem sexo.

As crianças devem ser encorajadas a quebrar essas barreiras e estimular sua curiosidade pelo desconhecido, o novo. O fomento de novas capacidades psicológicas, manuais, físicas e intelectuais não só favorecerá a convivência entre os sexos, mas também enriquecerá meninas e meninos como pessoas.

Nossa sociedade está em um processo de mudança e os brinquedos representam a sociedade de 20 anos atrás, mas não hoje. Não é verdade que a mulher esteja atualmente presa em casa e não tenha outra ocupação profissional. Não é verdade que os homens não trocam fraldas ou não se alimentam.

O fato de a mídia, a publicidade ou as histórias infantis continuarem a dar uma imagem do passado é algo que pouco ou nada podemos fazer, apenas não comprar ou não assistir. Mas, pelos brinquedos que compramos hoje, somos totalmente responsáveis.

Não é verdade que as meninas são menos ágeis do que os meninos e é altamente discutível que sejam menos fortes. Na verdade, pular corda requer habilidades complexas e diversas, tanto ou mais do que jogar futebol. O que acontece é que, quando uma menina tenta jogar futebol pela primeira vez, eles argumentam que ela fez errado porque 'ela é uma menina'; pelo contrário, quando uma criança brinca pela primeira vez, dirão que ela é nova e desajeitada.

Contra essas eliminatórias você pode lutar e tentar superar, mas contra o fato de 'ser menina' nada pode fazer, exceto estar ciente de que esta não é uma limitação real para realizar qualquer tipo de atividade, mas um estereótipo cultural. Também não podemos esquecer que se as meninas sofrem as consequências de estereótipos que encurtam e limitam seu potencial, os meninos sofrem as demandas impostas pela sociedade aos 'homens', que em muitos casos podem ser sufocantes e criar complexos.

É lógico que para as meninas é mais fácil brincar de 'jogos infantis' do que o contrário, visto que existe uma atitude generalizada, imersa em todos os aspectos culturais e sociais, de desvalorização das tarefas, valores e capacidades atribuídas às mulheres. Teremos que rever nosso papel como pais e educadores, os valores explícitos e implícitos, e a partir de um trabalho de análise crítica para alcançar uma verdadeira mudança de atitudes.

Embora as mensagens de discriminação com base no sexo não dependam apenas de nós, devemos gradualmente facilitar e promover que os brinquedos e jogos não reproduzam papéis tradicionais discriminatórios e que podem ser usados ​​da mesma forma por meninos e meninas. As chaves para o sucesso requerem que esse empoderamento comece muito cedo e que todas as pessoas envolvidas na educação das crianças sejam consistentes com isso.

Acima de tudo, os brinquedos devem ser estimulantes e variados, e os adultos devem proporcionar aqueles que proporcionem valores positivos, pois com o lúdico estimulamos a educação em valores. É aconselhável selecionar brinquedos que transmitam igualdade, solidariedade, etc., mas sem esquecer que, quando a criança brinca, reproduz e imita situações ou histórias vividas.

Tem que diferenciar entre o potencial do brincar no desenvolvimento da criança e o potencial do brincar para apoiar o ensino. Hoje todos os acadêmicos consideram que os brinquedos oferecem possibilidades que os tornam um elemento educacional indispensável para o desenvolvimento infantil. As brincadeiras e brinquedos contribuem para o desenvolvimento integral da criança em todas as áreas da personalidade: intelectual, física, social e emocional ou afetiva. Estimula o desenvolvimento e a coordenação do corpo, desenvolve estruturas mentais, é um meio de expressão e socialização e favorece o equilíbrio afetivo. Além disso, é um excelente recurso para iniciar ou consolidar o aprendizado dentro e fora da sala de aula. É um tópico adulto que existem brinquedos para meninos e brinquedos para meninas.

Quando deixamos os mais pequenos brincando em um ambiente sem condicionantes, como é o caso dos Play Centres, descobrimos que há um uso indiscriminado dos brinquedos. É hora de os adultos tomarem consciência de que os brinquedos não fazem sexo, que somos nós, e não as crianças, que os marcamos com estereótipos sexistas. O jogo é gratuito e espontâneo e é assim que devemos entendê-lo.

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