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Por que você não deveria acreditar no mito da vacina e no autismo infantil


Muitos pais hoje decidem não vacinar seus filhos. Um de seus medos ao tomar essa decisão é que as vacinas possam causar autismo. Essa crença se deve a um estudo que gerou um mito anos atrás. O estudo descobriu que a vacina MMR pode causar transtorno autista em crianças.

Porém, anos depois, esse estudo foi desmontado, o que passou a ser considerado um mito repleto de erros e imperícia. Explicamos, com a ajuda do pediatra Roi Piñeiro (Diretor do Serviço de Pediatria do Hospital Villalba de Madrid, Espanha), por que você não deveria acreditar no mito das vacinas e do autismo infantil.

Anos atrás (1998), uma revista científica (The Lancet) lançou um estudo por um cirurgião britânico (Andrew Wakefield), que afirmou que a vacina MMR (caxumba, sarampo e rubéola) pode causar autismo em crianças. Embora ele insistisse que falava apenas de uma possibilidade, a notícia foi devastadora.

Evidentemente, o estudo teve impacto imediato na sociedade e também entre os pediatras. Os pais começaram a se recusar a dar aos filhos a vacina MMR e muitos médicos queriam verificar a veracidade do estudo.

Ao todo, mais de 100 pesquisadores tentaram provar a teoria de Wakefield sem sucesso. Nenhum desses estudos foi capaz de mostrar que a vacina MMR causou transtorno autista em crianças.

Como se isso não bastasse, anos depois descobriu-se que Os dados de Wakefield foram falsificados, que os testes que ele usou em crianças foram feitos sem autorização familiar e que o cirurgião havia submetido crianças saudáveis para testes muito perigosos, como uma punção ventricular da cabeça de bebês para obter líquido cefalorraquidiano. Ou seja, ele cometeu vários crimes em sua investigação que o Supremo Tribunal de Justiça britânico julgou e condenou. A justiça o proibiu de praticar a medicina novamente e ele se retratou e se desculpou pela investigação.

Também foi descoberto que o próprio Wakefield estava na época pesquisando a criação de uma nova vacina MMR. Seu objetivo era gerar dinheiro com a nova vacina. Ele também foi muito influenciado economicamente por grupos anti-vacinais muito poderosos.

No entanto, embora se tenha provado que a investigação era falsa e o Supremo Tribunal de Justiça britânico o tenha confirmado ao condenar o cirurgião responsável pelo estudo, o dano foi feito. Desse modo, mesmo mostrando que o estudo desse cirurgião era uma invenção, sua teoria continuou a circular, já em forma de mito, e muitos pais ficaram com a sombra da dúvida.

Embora os pediatras insistam em lembrar que o estudo foi uma invenção, muitos pais continuam se recusando a vacinar seus filhos. A verdade, porém, é que não existe relação entre vacinas (qualquer tipo de vacina) e o aparecimento do transtorno do espectro autista em crianças. O que ocorreu é uma melhora no diagnóstico do transtorno autista, o que fez parecer que há mais casos. A realidade é que não há mais casos, mas agora estão diagnosticados, enquanto antes não se terminava de nomear todos os casos existentes.

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