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Como o pediatra deve informar a criança


Os pediatras freqüentemente esquecem que nossos pacientes precisam de uma compreensão razoável do que está acontecendo com eles, assim como os adultos.

As crianças com uma doença perguntam a si mesmas: O que há de errado comigo? O que acontece comigo é normal? Fiz algo de errado para ser assim? Por que tenho mãos frias? Por que não sinto vontade de comer? Por que estou sangrando? Por que você não me dá nada para comer? Quanto tempo vou ser admitido? Quantas vezes terei que ir ao hospital? Algum dos testes que eles me enviarem vai me machucar?

Como um guia, propomos o seguinte decálogo informativo, especialmente desenhado para nossos pequenos pacientes:

1. Proximidade. Em primeiro lugar, vamos olhar para ele e ficar perto. Vamos também nos apresentar a eles. É bom que saibam qual é o nosso nome.

2. Desânimo. Tentaremos quebrar o gelo e passaremos a lhe contar com certa facilidade (mas sem cair no gibi) o que acontece com ele. Por exemplo, se falamos com um celíaco: 'Há crianças que não podem comer ovos fritos; você pode comê-los e mergulhar a gema no pão, mas tem que fazer com um pão um pouco diferente do normal. Esse pão especial não tem glúten, e é isso que dá nojo.

3. Otimismo. Tente transmitir positividade com suas frases: 'Agora você tem uma mancha no pulmão que o faz respirar regularmente, mas assim que ela passar você poderá ir a campo dar uma longa caminhada'.

4. Alternativas. - Sim, você vai perder o aniversário do Alberto, mas outro dia você pode convidar o Alberto e todos os seus amigos para brincar em casa. Você vai se divertir muito. '

5. Desenhos. Quando são más, as crianças pensam que 'todo o seu corpo é mau'. Podemos usar um desenho muito superficial e apontar exatamente o que está errado.

6. Compreensão. Crianças com menos de dois anos não entendem o que é ficar doente, mas se preocupam em estar separadas dos pais. Por esse motivo, diremos a eles que a mãe ou o pai estarão sempre no hospital com eles. Entre 2 e 6 anos de idade, as crianças sabem que estão doentes e o que está acontecendo com elas deve ser explicado de forma simples. Para evitar sentimentos de culpa, não se esqueça de dizer a eles que o que acontece com eles não é consequência de seu comportamento. Acima de 6 anos, o nível de compreensão é maior, sendo necessário adaptar-se a ele na hora de relatar.

7. Não minta. Se a criança nos pergunta se uma análise vai ser feita, não devemos dizer 'mas não vai doer'. É melhor dizer que 'pode incomodar um pouco, mas se você soprar, vai embora imediatamente'. Ou 'eles vão pulverizar você de modo que isso o incomode muito pouco'.

8. Deixe a porta aberta. As informações serão constantes, dia a dia. Recomendamos que a criança e os pais anotem em um pedaço de papel todas as perguntas que o filho faz a si mesmo.

9. Eles nos ouvem. Embora possa não parecer, enquanto os médicos falam com os pais, os filhos nos ouvem.

10, Empatia. Se a doença for longa e a recuperação tediosa, fale com ele em termos compreensíveis, como 'isso é um pouco chato, é normal que você fique um pouco deprimido algum dia'. - Não se sinta mal se estiver com raiva.

E por último: temos que deixar claro que eles não são os únicos que já passaram por isso. É conveniente esclarecer que 'não só tiveram adenite mesentérica, muitos outros como ele já se curaram', 'a pneumonia é frequente, tendem a ir muito bem e não geram sequelas'. Deixe que eles se envolvam ativamente nas decisões de tratamento: 'o que é melhor para aliviar sua dor, paracetamol ou metamizol?'

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