Recém-nascido

Cuidados com a cabeça do bebê recém-nascido para evitar malformações


Os bebês recém-nascidos são cada vez mais frequentes com uma malformação do crânio, conhecida como plagiocefalia. Essa deformação do crânio pode ser evitada? Quando ocorre por causa intra-uterina, a criança deve ser tratada diretamente, mas se a criança nascer sem qualquer alteração, os pais devem ter cuidados especiais no cabeça do bebê recém-nascido para evitar malformações.

A cada dia admiro mais a grandeza da natureza, principalmente quando um bebê nasce de parto normal, pois permite que ele passe por um canal bastante estreito. E ela faz isso "sem problemas" porque as estruturas de seu crânio, que são ossos moles, têm a capacidade de se sobrepor e se comprimir para se conformar ao estreito canal da vagina; Assim, dessa forma, por meio de um processo denominado 'moldagem', o feto sai sem complicações na maioria das vezes.

Nesse processo, não apenas os seis ossos do crânio (frontal, occipital, 2 parietal e 2 temporais) atuam, mas também outras estruturas chamadas fontanelas e suturas desempenham um papel importante no processo de modelagem.

As fontanelas principais são anteriores e posteriores e permanecem abertas até uma certa idade para permitir que o cérebro do bebê cresça e se desenvolva. A fontanela anterior fecha entre 9 a 18 meses e a posterior entre o primeiro e o segundo mês de vida da criança. Caso ocorra o fechamento prematuro da mesma, é necessário avaliar periodicamente para observar a presença de complicações, o que é conhecido como 'craniossinostose'.

É claro que, quando nosso bebê nasce, esperamos que tudo seja perfeito, mas se ele nasce de parto normal, sua cabeça costuma ter a forma de um cone, que fica arredondada com o passar dos dias; às vezes essa deformidade pode ser mantida, por isso devemos consultar o pediatra para encontrar a solução.

Quando recebo recém-nascidos em meu consultório e faço um exame físico minucioso, uma das partes que me chama a atenção é a cabeça, que verifico se há alguma deformidade ou alteração de suas estruturas, não só se é visível, mas também palpável, e uma das deformidades mais frequentes é a plagiocefalia.

o plagiocefalia Pode ser definida como uma deformidade assimétrica do crânio, produzida por uma pressão constante, exercida na mesma região do crânio, que pode ser observada desde o nascimento do bebê ou pode se desenvolver nas primeiras semanas ou meses de vida.

Pode ter sua origem intrauterina (causas pré-natais), principalmente quando há gestações múltiplas, devido ao pouco espaço entre os fetos, o que os leva a ter posições anormais que comprimem constantemente o crânio, ou também em gestações com oligoâmnio, onde não há líquido amniótico suficiente para amortecer os movimentos do bebê no útero.

A outra origem ou causa da plagiocefalia pode ser extrauterina, também chamada posicional (causas pós-natais), devido à posição que o bebê adota na hora de dormir, ou seja, a mesma postura constantemente, o que faz com que o osso tenha tendência a afundar nesse lado (os ossos são moles até uma certa idade de 14 a 18 anos) e então produzir a assimetria da cabeça.

Nos últimos anos, a frequência desses casos na consulta pediátrica tem aumentado gradativamente, apresentando atualmente uma incidência de 40% em crianças menores de 1 ano. Isso se explica porque do ano 92 para cá, com o objetivo de prevenir a síndrome da morte súbita do bebê, a postura do recém-nascido ao dormir mudou muito. Agora é recomendado dormir de costas, então se o bebê ficar sempre do mesmo lado ou do mesmo jeito, haverá uma pressão constante naquela parte do crânio, o que vai causar plagiocefalia.

No mês passado, uma criança com menos de 2 meses de idade com plagiocefalia posicional ao nível do osso occipital (cabeça achatada nas costas) foi trazida para a consulta. Expliquei aos pais, que ficaram muito preocupados, que é uma patologia que tem um tratamento simples se for antes dos três meses de idade e que consiste em:

- Ao dormir, coloque o bebê de costas no berço, no lado proeminente da cabeça.

- Coloque-o voltado para baixo o maior tempo possível, apenas quando acordado.

- Use almofadas especiais, que têm uma depressão para não suportar o osso afetado.

- Faça exercícios para o pescoço quando há patologia associada nesta área, como torcicolo com plagiocefalia.

Se não houver melhora após 3 meses, a conduta é ortopédica, devendo ser realizada antes de um ano de idade, pois haveria o risco de manutenção da plagiocefalia devido ao fechamento das fontanelas e suturas.

O tratamento ortopédico é realizado com a colocação do que se chama de faixa ortopédica, que é colocada ao redor da cabeça e terá pontos de pressão onde for necessária. Os resultados são muito encorajadores.

48% dos bebês com plagiocefalia que não recebem tratamento a tempo podem ter complicações como são:

- Consequências estéticas que no futuro podem gerar graves problemas de autoestima, principalmente devido às bulliyng que podem ser provocadas pelos próprios amigos, colegas de escola e até familiares.

- E possível atraso psicomotor e cognitivo, uma vez que áreas do cérebro podem estar alteradas por falta de desenvolvimento.

Meu paciente está atualmente em terapia posicional e parece muito melhor, então concluo insistindo que o mais importante para prevenir a ocorrência de plagiocefalia é a prevenção, é claro, desde que seja posicional, então eu recomendo:

- Mudar a posição da cabeça a cada três horas, enquanto o bebê dorme no berço, intercalando o lado direito e o esquerdo.

- Quando estiver amamentando, evite que a cabeça do bebê pressione constantemente o antebraço da mãe, ou seja, é melhor mudar de posição durante a amamentação.

- Contanto que o bebê não vire sozinho, coloque-o de bruços com freqüência quando estiver acordado.

- Consulte o pediatra o mais rápido possível se observar alguma deformidade na cabeça do seu bebê.

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